Podocarpus lambertii Klotzsch ex Endl.
Nome popular: pinheiro-bravo
Família: Podocarpaceae
Origem: Nativa
Distribuição Geográfica: Distribui-se pela Argentina (Misiones) e Brasil onde ocorre na Bahia e nas regiões Sudeste e Sul. No Estado ocorre nas maiores altitudes do Planalto, desde o Planalto Médio, mas principalmente na região Nordeste, nos Campos de Cima da Serra, sendo abundante também em trechos do Escudo Cristalino Rio-Grandense e em alguns cerros na região oeste do Estado. Encontrada na floresta com araucária e em florestas estacionais da metade sul do RS no bioma Pampa, entre 70–1300 metros de altitude. Ocorre em florestas em regeneração, em capões de floresta em meio aos campos nativos ou em florestas antigas.
Importância Ecológica: Apresenta dispersão zoocórica, ou seja, o pedúnculo carnoso que envolve a semente é atrativo para a fauna, principalmente para aves, servindo como seu alimento. Dessa forma a avifauna acaba dispersando as sementes aderidas a parte carnosa. É uma espécie que cresce bem a pleno sol e por isso importante para a recuperação ambiental de áreas desmatadas. Trata-se de uma das três espécies de pinheiros nativos do RS, juntamente com o pinheiro-brasileiro (Araucaria angustifolia) e o pinheiro-bravo-do-litoral (Podocarpus sellowii). Tolerante a baixas temperaturas, pelo qual é importante para plantios em regiões mais frias.
Descrição: Árvores até 22 m de altura, até 80 cm de diâmetro, perenifoliadas, dioicas, ou seja, apresenta indivíduos que produzem apenas cones polínicos (“masculinos”) e indivíduos que produzem apenas cones ovulíferos (“femininos”), raro monoicas (dois tipos de cones na mesma planta). Ramos novos verticilados, com crescimento intermitente, estriados, com cicatrizes de folhas. Casca externa pardacenta a acinzentada, escamosa e levemente fissurada, descamando em lâminas estreitas e compridas, com as pontas dobradas para cima. Casca interna levemente aromática, carmin-clara. Folhas alternas helicoidais, sésseis, lâminas rígidas, lineares, lanceoladas a estreitamente elípticas, 1,4−6,8 × 0,15−0,6 cm, margem inteira e revoluta, ápice agudo, apiculado a mucronado e pungente, raro arredondado, base aguda, atenuada, ambas faces glabras (sem tricomas). Cones polínicos 4−14 × 1−2 mm, de 3 a 12 agrupados no ápice de pedúnculos axilares, 5−15 mm de comprimento, brácteas ovais a arredondadas, 0,5−2 mm compr., esporofilos patentes à raque e com ápice ascendente, microesporângios ovais. Cones ovulíferos uniovulados, pedúnculos 0,6−1 cm de comprimento. Epimácio (porção carnosa que envolve a semente, um tipo de pseudofruto) obovado, 3−6 × 1,5−2,5 mm, verde a roxo. Sementes elipsoides a esféricas, 3–5 × 2,5–4 mm, verdes a castanhas, envoltas pelo epimácio, na base, cobertas por cera de coloração esbranquiçada.
Fenologia: Cones férteis o ano todo, mas principalmente, de julho a dezembro. Semente e epimácio maduros o ano todo, mas principalmente de setembro a fevereiro.
Utilidade: Tem utilidade no paisagismo, principalmente de praças e parques, já que atinge porte elevado. Espécie de importância madeireira e para extração de celulose. As suas folhas possuem utilização na medicina popular. O epimácio (pseudofruto) é comestível, ao destacar a semente, a qual não é comestível (Carvalho, 2003).
Referência: Carvalho, P.E.R. (2003) Espécies arbóreas brasileiras. Vol. 1. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, Colombo, PR: Embrapa Florestas.




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