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Mimosa scabrella Benth.

30 de set.
3 min de leitura

Nomes populares: bracatinga, guaracatinga

 

Família: Fabaceae

 

Origem: Nativa 

 

Distribuição: Espécie pioneira, perenifólia (sempre com folhas), encontrada exclusivamente na floresta com araucária em contato com os campos de altitude, ou na regeneração de áreas de floresta com araucária devastadas, entre 700–1400 metros de altitude no RS. Forma agrupamentos densos no limite entre a floresta com araucária e os campos de altitude. Cresce bem em vários tipos de solos, rasos a profundos, e com fertilidade química variável, desenvolvendo-se geralmente em solos pobres e ácidos. Endêmica no Brasil, onde ocorre em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e nos três estados da região Sul. No RS ocorre nas regiões de maior altitude do Planalto Sul-Brasileiro, mais especificamente no Planalto Médio, porções do Alto Uruguai e na região dos Campos de Cima da Serra.

 

Importância ecológica: É uma das espécies mais importantes da floresta com araucária pois é uma de suas principais espécies pioneiras, avançando sobre a vegetação campestre e criando o ambiente necessário para a expansão das florestas. Por desenvolver-se bem em áreas abertas e com condições do solo pobres, é importante também para a regeneração de áreas onde a floresta com araucária foi desmatada. Sendo uma espécie da família das leguminosas, suas raízes possuem nódulos que são responsáveis pela incorporação de nitrogênio e fósforo ao solo. Por florescer no inverno, época de poucos recursos florais, é importante por oferecer néctar e pólen para insetos, incluindo abelhas.

 

Descrição: Árvores até 18,5 m alt. e 60 cm diâm., com os dois “sexos” na mesma planta (monoicas), copa alta, com folhagem não muito densa, arredondada ou em formato de guarda-chuva (umbeliforme), tronco geralmente longo e reto, ou curto e ramificado, quando isolada. Casca externa apenas áspera, castanho-escura em indivíduos jovens e finamente fissurada castanho-acinzentada a acinzentada em indivíduos antigos, às vezes preta por associação com fungos. Ramos, assim como os outros órgãos da planta, revestidos por pêlos (tricomas) acinzentados a castanhos. Eixo principal da folha 3,5−7,6 cm compr. Folhas compostas, bipinadas (divididas duas vezes), espiraladas, 3−14 pares de pinas opostas, 1,4−7 cm compr., foliólulos (menor divisão da folha) 15−31 pares por pina, elípticos, oblongos a lineares, 5−7 × 1,3−2 mm. Flores dispostas em inflorescência do tipo espiga, globosa ou elíptica, 5−7 mm de diâm., 1−3 por nó, nas axilas das folhas; corola muito reduzida e não atraente, 2,2−3,5 mm, acinzentada; estames amarelos 4−6 mm de compr., e que dão o aspecto chamativo das flores. Frutos legumes do tipo craspédio, deiscentes (abrem-se liberando as sementes), achatados, 20−50 × 5−10 mm, com 1−6 artículos com uma semente cada, castanhos e com pequenos pêlos (tricomas).

 

Fenologia: Floresce principalmente de julho a outubro, mas também com alguns registros para novembro e janeiro. Frutos imaturos de novembro a março e maduros de fevereiro a maio.

 

Utilidade: A sua madeira é utilizada em construção civil, marcenaria ou para celulose, fornecendo também boa lenha e carvão. Fornece pólen para as abelhas, as quais produzem mel de sabor acentuado a partir do néctar de suas flores. Pode ser utilizada em paisagismo, como espécie ornamental. Além disso tem utilização como forrageira e na produção de gomas e taninos. Também é espécie importante para projetos de recuperação ambiental, pela sua rusticidade.

 

Referências:

 

Backes, P.; Irgang, B. 2002. Árvores do sul: guia de identificação & interesse ecológico: as principais espécies nativas sul-brasileiras. Rio de Janeiro: Instituto Souza Cruz. 325 p.

 

Burkart, A. (1979) Leguminosas-Mimosoídeas, Parte I. In: R. Reitz (ed.). Flora Ilustrada Catarinense. Itajaí: Herbário Barbosa Rodrigues, 304p.

 

Carvalho, P.E.R. (2003) Espécies arbóreas brasileiras. Vol. 1. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, Colombo, PR: Embrapa Florestas.

 

Reitz, R., Klein, R.M., Reis, A. (1983) Projeto Madeira do Rio Grande do Sul. Sellowia 34–35: 1–525.

 

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