Dicksonia sellowiana Hook.
Nomes populares: xaxim, xaxim-bugio
Família: Dicksonianceae
Origem: nativa
Distribuição geográfica: Espécie secundária tardia, sempre verde (pernifólia), de dispersão anemocórica, ou seja, seus esporos são dispersos pelo vento. Encontrada principalmente na floresta com araucária, mas também com registros para florestas estacionais, floresta atlântica e restingas paludosas, entre 10–1400 m de altitude. Ocorre principalmente em florestas em estágio avançado de regeneração e em florestas antigas, geralmente em ambientes sombreados e úmidos. Espécie de ampla distribuição, com ocorrência na América Central, desde o sul do México até a América do sul, desde a Colômbia e Venezuela até Equador, Bolívia, Paraguai, Uruguai e Brasil onde ocorre em todos os estados das regiões Sudeste e Sul. No RS ocorre principalmente nas maiores altitudes do Planalto Sul-brasileiro, ocorrendo também, esporadicamente, na encosta do Planalto-Sul-brasileiro, Depressão Central, Encosta do Sudeste e no Litoral Médio e Norte.
Importância Ecológica: É uma planta encontrada em trechos de florestas preservadas, onde contribui para a manutenção da água no ambiente, retendo a umidade e funcionando como um reservatório. Também retém folhas que caem de outras plantas, sendo também um reservatório de nutrientes. Possui importância ainda por formar um micro-habitat para muitas outras espécies de plantas crescerem sobre ela (as epífitas), principalmente sobre as raízes adventícias do seu tronco, contribuindo assim para a manutenção da biodiversidade das florestas. Foi muito explorada por décadas, devido a utilização de seu tronco na fabricação de vasos e estacas. A sua intensa extração combinada com o seu crescimento lento a colocaram em perigo de extinção, passando a integrar listas oficiais de espécies ameaçadas de extinção. Portanto, na atualidade, o seu corte e extração são proibidos.
Descrição: Pteridófitas arborescentes com “caules” de até 6 m de alt., até 120 cm de diâm., densamente coberto por raízes adventícias fibrosas e com abundantes “pêlos” (tricomas) castanho-dourados. Os pecíolos (hastes) são persistentes após a queda das folhas, e possuem cerdas cor de ferrugem na base. As folhas formam uma coroa no ápice do “caule” e possuem até 2,4 m de comprimento, são compostas e profundamente recortadas. O eixo principal da folha é densamente coberto por “pêlos” (tricomas) ferrugíneos, com 2–6 cm de comprimento. Os menores segmentos das folhas, possuem 0,35–1 × 0,3–0,5 cm, com margem plana ou recurvada e recortada (não inteira). A porção reprodutiva da planta está localizada nos soros, onde são produzidos os esporos, que são similares às sementes de plantas com flores, mas são muito pequenos, não visíveis a olho nu. Os soros são pequenos círculos de coloração ferrugem, visíveis na face inferior das folhas e são cobertos por uma membrana conhecida por indúsio. Os esporos são dispersos pelo vento e são responsáveis pelo surgimento de novas plantas, ao germinarem.
Fenologia: Foram registrados indivíduos férteis todos os meses do ano no RS.
Utilidade: O seu tronco era utilizado para a confecção de vasos e estacas. Também era utilizada no paisagismo. Foi muito explorada para esses fins e quase dizimada de algumas regiões, já que seu crescimento é lento. Por isso, na atualidade, o seu corte e extração são proibidos e não há meios de reproduzir a espécie em viveiros. Portanto, atualmente, a sua utilização é restrita a conservação de florestas, sendo preservada onde já ocorre naturalmente.
Referências:
Della, A.P.; Vasques, D.T. (2026) Dicksoniaceae in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB90947>. Acesso em: 08 jun. 2026
Fernandes, I. (2000) Taxonomia dos representantes de Dicksoniaceae no Brasil. Pesquisas, Botânica 50: 5–26.
Sehnem, A. (1978) Ciateáceas. In: R. Reitz (ed.), Flora Ilustrada Catarinense. Itajaí: Herbário Barbosa Rodrigues, 116p.
Tryon, R.M., R.G. Stolze. (1989) 1. Ophioglossaceae–12. Cyatheaceae. In: R.M. Tryon, R.G. Stolze (eds.) Pteridophyta of Peru Part I. 1. Ophioglossaceae–12. Cyatheaceae, Fieldiana, Bot. N.s. 20: 1–145. Field Museum of Natural History, Chicago. 20: 105.




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