Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze
Atualizado: 30 de set.
Nomes populares: pinheiro, pinheiro-do-paraná, araucária, pinho, pinheiro-brasileiro; pino Paraná (ARG); kuri'y, kuriúva (guarani); fág (caingangue)
Família: Araucariaceae
Origem: Nativa
Distribuição Geográfica: Araucaria angustifolia é o principal elemento da Floresta Ombrófila Mista (floresta com araucária), ocorrendo entre 45–1400 metros de altitude, no Rio Grande do Sul (RS). Comporta-se como espécie pioneira nas formações campestres, em florestas em regeneração, em capões de floresta em meio aos campos nativos ou em florestas antigas. Pode apresentar grande longevidade, permanecendo centenas de anos na floresta. A madeira desta espécie foi um dos principais produtos de exportação do Brasil em décadas passadas, tendo sido, portanto, depauperada de grandes trechos de floresta onde ocorria, restando na atualidade poucos fragmentos de floresta com araucária originais. Apesar disso ainda é abundante em algumas regiões, devido à regeneração ocorrida após a proibição da sua exploração, principalmente na porção leste do Planalto Sul-brasileiro no Estado, na região de grandes altitudes conhecida como Campos de Cima da Serra. Distribui-se pela Argentina (Misiones) e Brasil onde ocorre em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, geralmente acima de 1200 ou 1400 m de altitude e na região Sul, onde ocorre a partir de altitudes menores. No RS ocorre no Planalto Sul-brasileiro, em geral acima de 500 m de altitude, ocorrendo ainda em trechos do Escudo Cristalino Rio-Grandense e da Depressão Central, abaixo dos 500 m de altitude.
Importância Ecológica: Apresenta dispersão zoocórica, ou seja, a semente que é o pinhão, é muito procurada pela fauna, principalmente por mamíferos e aves, servindo como seu alimento. A importância ecológica da espécie é ainda maior pelo fato dos pinhões amadurecem e ficarem disponíveis no inverno, período de escassez de frutos de outras espécies arbóreas que frutificam principalmente na primavera, verão e início do outono. Alguns mamíferos, como a cutia (Dasyprocta azarae), enterram os pinhões para buscá-los em outro momento e acabam os esquecendo, contribuindo para a sua dispersão. É uma espécie que cresce bem a pleno sol e por isso importante para a recuperação ambiental. Trata-se de uma das três espécies de pinheiros nativos do RS, juntamente com o pinheiro-bravo (Podocarpus lambertii) e o pinheiro-bravo-do-litoral (Podocarpus sellowii). Tolerante a baixas temperaturas, pelo qual é importante para plantios em regiões mais frias. Espécie de comportamento pioneiro, no entanto longeva, podendo atingir grande porte. As árvores mais antigas possuem ocos que são importantes como refúgios para a fauna, incluindo nidificação de aves e tocas para mamíferos.
Descrição: Árvores até até 50 m de altura, segundo Reitz et al. (1983), até 300 cm de diâmetro, perenifoliadas, dioicas, raro monoicas. Copa cônica em indivíduos jovens, passando a corimbosa em indivíduos adultos (formato de candelabro). Tronco cilíndrico e reto, raramente com ramificações, estas mais comuns em indivíduos muito velhos. Ramos primários longos e recurvados, dispostos em 8 a 15 verticilos, que se aproximam entre si em direção ao ápice e ficam mais curtos, restando apenas uma umbela terminal; ramos secundários alternos, agrupados no ápice dos primários. Casca externa laminada (na porção superior do tronco) a escamosa, cinzento-escura a castanho-vinácea. Casca interna esbranquiçado-rosada, resinosa. Folhas alternas helicoidais, lâminas sésseis, côncavas, coriáceas, lanceoladas, verde-escuras, 0,4−6,5 × 0,2−1,1 cm, margem inteira, ápice agudo e pungente, base decurrente, ambas faces glabras (sem tricomas). Cones polínicos isolados 4,5−22 × 1,7−2 cm, esporofilos patentes a raque, 6−7 mm compr., ápice rômbico, com 6−12 microesporângios na face abaxial, lineares. Cones ovulíferos (pinhas) ovais a globosos, 9 cm de diâmetro, com raque fusiforme; cerca de 1000 escamas ovulíferas concrescidas cada uma a um óvulo, 3,5−5,5 × 2−5 cm, obovais, coriáceas a lenhosas, ápice triangular, com um espinho recurvo de 4 mm. Cones maduros (pinhas maduras) com 10−20 cm de diâmetro, com 10−150 sementes (pinhões). Sementes obovais a cuneiformes, 3–8 × 1–2 cm, lisas, ápice formado por tecido seco provido de espinho achatado e recurvado.
Fenologia: Cones polínicos férteis de agosto a janeiro, mas geralmente em setembro, e cones ovulíferos visíveis o ano todo. Sementes maduras de março a setembro.
Utilidade: Os pinhões são comestíveis para o homem e muito nutritivos, sendo utilizados popularmente em diversas receitas para fazer paçoca, farinha, risotos, churrasco, etc ou mesmo para serem consumidos cozidos, assados ou sapecados. A madeira apresenta diversos usos, sendo muito apreciada. No auge da sua exploração, nos anos 60, a sua madeira chegou a ser o 4º produto mais exportado do Brasil. Os galhos e os “nós de pinho” servem como lenha. Além disso é uma espécie muito ornamental, podendo ser cultivada em grandes áreas como praças e parques, devido ao seu grande porte.
Referências
Carvalho, P.E.R. (2003) Espécies arbóreas brasileiras. Vol. 1. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, Colombo, PR: Embrapa Florestas.
Garcia, R.J.F. (2002) Araucariaceae In: Wanderley, M.G.L., Shepherd, G.J., Giulietti, A.M., Melhem, T.S., Bittrich, V., Kameyama, C. (eds.) Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. Instituto de Botânica, São Paulo, vol. 2, pp: 1-2.
Reitz, R., Klein, R.M., Reis, A. (1983) Projeto Madeira do Rio Grande do Sul. Sellowia 34–35: 1–525.
Brack, P., Grings, M. (2011) Araucaria angustifolia. In: L. Coradin, A. Siminski, A. Reis (eds.), Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro — Região Sul. Brasília, MMA, 934p.




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